ARTE PLUMÁRIA
 
Plumária é um termo que designa artefatos confeccionados a partir de penas de aves e utilizadas, sobretudo, como adorno corporal pelos índios brasileiros. Os produtos da atividade plumária foram os que mais impressionaram os europeus que aqui aportaram na época do descobrimento. De fato, a arte plumária é uma das manifestações artísticas mais expressivas dos índios brasileiros.
O aprendizado da tecnologia plumária comumente se processa após o ritual de iniciação, que marca a passagem dos jovens púberes à categoria de adultos. Por conseguinte, a responsabilidade pela confecção dos artefatos das várias categorias compete aos homens adultos, cabendo-lhes providenciá-los para si próprios, seus pares, mulheres e crianças, em locais internos e/ou externos no âmbito da aldeia e em momentos determinados, de acordo com as prescrições da tradição cultural respectiva.
A manufatura exige uma série de atividades preliminares que começam pela preparação do instrumental necessário à caça aos pássaros: diferentes tipos de armadilhas, de pontas de flechas e, atualmente, a espingarda servem para matá-los ou aprisioná-los e, neste caso, mantidas em cativeiro, as aves abastecem o índio regularmente de penas. Em seguida procede-se à depenação, seleção e classificação da plumagem, ao preparo das peles, havendo preocupação ainda com a obtenção de suportes (cordéis, tecidos, trançados), resinas e fios. O processo de manufatura refere-se basicamente à transformação e à junção da plumagem e dos demais materiais por amarração ou colagem.
No Brasil indígena verificam-se pelo menos dois grandes estilos plumários. O primeiro congrega penas longas associadas a suportes rígidos que conferem um aspecto grandioso e monumental ao artefato. Neste grupo estão incluídos os Bororo, Karajá, Tapirapé, Kayapó, Tiryó, Apalay e WaiWai, entre outros. O segundo caracteriza-se por diminutas penas dispostas com requinte em suportes flexíveis de aspecto primoroso e delicado. Seus mais legítimos representantes são os Mundurukú, Rikbaktsa, os Urubu-Kaapor e outros grupos tupi. Ainda alguns grupos comporiam um terceiro, como os Tukano, já que seus adornos são dotados de qualidades das duas grandes divisões.

Os adornos plumários não servem apenas para enfeitar o corpo, e o elemento plumário aplicado a outras superfícies, como armas, instrumentos musicais, máscaras, não pode ser visto como atributo meramente decorativo. Eles podem ser considerados verdadeiros códigos, que transmitem, numa linguagem não verbal, mensagens sobre sexo, idade, filiação clânica, posição social, importância cerimonial, “cargo político” e grau de prestígio de seus portadores. Além de enfeites, portanto, são símbolos e, por isso, usados nos ritos e cerimônias, campo simbólico por excelência das culturas humanas. Entre os Kaxinawá, por exemplo, há uma ligação entre liderança política e excelência estética, entre os Bororo há uma íntima associação entre certos artefatos plumários e a morte: um tipo de diadema de cabeça e um tipo de instrumento musical de sopro são especialmente feitos para representar mortos, já entre os Kayapó e Kaapor constituem-se num tributo à vida, já que atingem expressividade máxima, respectivamente: nos cerimoniais de imposição de nomes e de passagem de classes de idade; em rituais de nominação de crianças de tenra idade; em rituais de iniciação, de fertilidade e em danças especiais que visam à coesão e ao bem-estar da comunidade.

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