CERÂMICA

A execução de artefatos em argila é um aspecto presente na maioria das comunidades indígenas brasileiras, sendo uma atividade essencialmente feminina com exceção para os grupos Yanomâmi, Waharibo e os Yekuana.
A técnica utilizada pela maioria dos grupos indígenas é a do acordelado: superposição de rolos de argila a partir de uma base, em forma de anéis ou espirais. Como exceção, registra-se o grupo Tapirapé, que modelam diretamente suas peças em uma massa de barro. Nos demais grupos essa técnica é destinada somente para peças pequenas.
O processo operacional tem início com a obtenção da argila, retirada das margens ou leitos de rios ou córregos. Para coleta normalmente aproveita-se o período das secas, quando as águas dos rios encontram-se baixas, sendo muito comum a participação dos homens nesta tarefa, em função do grande esforço necessário. A qualidade do material pode ser testada através do tato, rolando o barro entre os dedos, ou através do paladar, como entre os Turiyó que o provam.
Para redução da plasticidade os índios empregam substâncias orgânicas (fibras vegetais como palha, raízes; ossos moídos, estrume), inorgânicas (areia, terra, mica, pedras calcárias) bio-minerais (cascas de árvores ricas em sílica, denominadas caraipé).
Com o barro parcialmente seco e com o auxilio de instrumentos como: conchas, pedaços de cabaça, colher de metal, etc., a raspagem é feita na peça a fim de regularizar a superfície e eliminar asperezas. Em seguida é feito o polimento, geralmente com seixos molhados, cacos, palha de milho, sementes, etc., deixando marcas bem visíveis, em alguns casos brilhosa. A esta altura procede-se a decoração plástica da peça. Sobre a argila são feitas incisões, mediante o uso de objetos cortantes, unhas, etc., formando motivos geométricos; ainda são aplicados apêndices como alças, asas, figuras zoomorfas. Uma segunda secagem torna-se necessária para enrijecer a cerâmica, antes de se processar a queima.  É frequente o uso de escoras para evitar deformações. Para queima, arma-se uma fogueira, cujo tamanho varia em função da peça a ser queimada, em geral usa-se lenha e casca de árvores em arranjo cônico; isto garante uma queima uniforme. As peças grandes são queimadas individualmente e as pequenas em grupo, emborcadas no interior da fogueira. Em alguns casos são apoiadas em trempes (cones cerâmicos, pedras) onde são totalmente envolvidas pelo fogo durante uma ou duas horas. Eventualmente os vasos são revirados de modo a queimar por igual e, dependendo do tempo de exposição ao fogo, podem ficar esbranquiçadas, avermelhadas ou em brasa. Muitas vezes chegam a ficar incandescentes e estas são as mais bem queimadas. Como acabamento final, algumas etnias utilizam resinas ou pigmentos naturais desenhando grafismos próprios e característicos, realizados com pigmentos naturais.


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